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Menopausa e Climatério

Como funcionam as consultas de acompanhamento na fase da menopausa?⁣

 

Para você, que está atravessando a fase da vida que envolve o período da menopausa, a consulta ginecológica não deve ser apenas mais uma consulta de revisão.

Conversar com seu médico, ser escutada, compreendida e orientada conforme sua necessidade, ter seus sintomas e sinais avaliados precocemente por alguém que saiba como valorizá-los (ou não) e proporcionar a melhor conduta terapêutica é o diferencial que você deve procurar.

A consulta também tem valor terapêutico!!!

Não há como fazer uma primeira consulta nessa fase da vida em pouco tempo, na corrida... A experiência mostra que a consulta inicial dura cerca de uma hora.

Dra. Luiza Schvartzman

No consultório, por vezes, recebo mulheres a quem foram prescritos tratamentos medicamentosos apropriados, mas que tinham queixas, dúvidas e sensações que não foram devidamente acolhidas pelo médico que prescreveu. Seu ginecologista precisa escutar você. Uma pesquisa respondida por mais de 5.000 mulheres, no Reino Unido, descobriu que 7% dessas mulheres havia visitado seu médico mais de 10 vezes antes de receber ajuda ou aconselhamento adequado para sua perimenopausa ou menopausa. Mais de uma em cada dez mulheres teve de esperar mais de 5 anos pelo tratamento.

A maioria das mulheres não precisa de nenhum teste laboratorial para diagnosticar sua perimenopausa ou menopausa. A maioria das mulheres tem benefício com a terapia hormonal.

Após a primeira avaliação, que engloba, em geral, a consulta inicial e o primeiro retorno, as consultas se desenrolam conforme o desejo e a necessidade da paciente. Quando alguma terapêutica é implementada, avaliações mais frequentes, até estabelecimento da melhor terapêutica para cada mulher, são habituais. Iniciam-se, então, as consultas periódicas de revisão (semestrais, habitualmente, para reavaliação, exame físico e exames complementares , quando necessários).⁣

Menopausa precoce

Se a menopausa ocorre antes dos 40 anos, há questões a serem investigadas e discutidas:⁣

Há alguma doença sistêmica promovendo essa alteração?⁣

Há desejo de  Gestar?⁣

Se houver,  ovodoação é a possibilidade melhor documentada. Há estudos com terapêuticas  inovadoras, mas os resultados ainda não são consistentes. ⁣

Há sinais ou sintomas de diminuição de estrogênio?

Fogachos, alterações de humor, alterações Genito-urinárias  podem ocorrer e devem ser bem avaliadas. ⁣

Há indicação ou contra-indicação para uso de terapia hormonal? ⁣

Se não houver contra-indicação, o uso da terapia hormonal  é , habitualmente,  adequado.  Além de melhorar sinais e  sintomas, promove a prevenção de algumas condições como osteoporose e doença cardiovascular em mulheres mais jovens. ⁣

Como sempre, conversa, informação e investigação apropriadas ajudam a mulher a atravessar essa condição da melhor forma!

Síndrome Genitourinária da Menopausa

É o conjunto de sinais e sintomas resultantes da diminuição do estrogênio no trato genitourinário feminino.
Tem prevalência bastante alta, chegando a mais de 80% das mulheres pós-menopáusicas em alguns estudos.

Identificar esses sinais e sintomas é fundamental para instituir o melhor tratamento : secura vaginal, dispareunia (dor na relação sexual), infecção urinaria de repetição, prurido (coceira), ardência local são os os mais comuns e tendem a ser progressivos. Essas alterações trazem à mulher piora em vários aspectos de sua vida, desde dificuldades relacionadas a sua sexualidade, alterações em seu relacionamento amoroso até alterações de sono e piora de qualidade de vida.

Algumas mulheres não conversam a respeito com seu ginecologista, guardam para si as queixas, crendo na máxima infeliz “é coisa da idade”…

Há tratamentos para GSM e há melhora substancial quando tratada. O estrogênio tópico é superior a todos os tratamentos testados ate então para melhora e profilaxia de pioras. Lubrificantes e hidratantes vaginais são recomendados e funcionam em mulheres com sintomas leves que não podem ou não querem usar terapia hormonal local. Dehidroepiandrosterona vaginal e ospemifeno (esse ainda não temos no Brasil) também funcionam.

As “energy-based Therapies” como laser e radiofrequência ainda estão sendo estudadas e precisam de mais evidência para justificar sua utilização! Produtos fitoterápicos, ácido hialurônico e creme de testosterona também não apresentam evidência científica.

Libido

O despertar do desejo sexual feminino está relacionado a múltiplos fatores. Gosto da analogia com pilotar aviões- vários botões têm de estar ligados em sintonia! Medicar uma mulher com hormonioterapia (testosterona, por exemplo) sem investigar adequadamente o motivo da alteração de libido é desconsiderar esse fato. A administração de testosterona está longe de ser isenta de riscos. A menos que a mulher tenha diagnóstico sindrômico adequado (desejo sexual hipoativo, bastante raro), a investigação da alteração de libido deve ser mais ampla e o auxílio médico direcionado.

Desconfie de soluções mágicas!

​Sintomas Vasomotores

Os sintomas vasomotores (calorões/ fogachos e suores noturnos) são extremamente comuns no período da vida que envolve a menopausa.
 
A baixa de estrogênio faz com que o centro termorregulador (que fica no cérebro) fique confuso e os limiares para frio e calor se alterem. Graças a isso, a mulher experimenta uma súbita sensação de calor associada a um mal estar.

A terapia hormonal  é o tratamento comprovadamente eficaz. Há mulheres que não podem ou não desejam estrogênio... As terapias alternativas são feitas com drogas de ação central (agem no cérebro e tentam corrigir essa distorção).

Há muita falácia com relação a “hormônios naturais “ e “bioidênticos”. Cuidado com as prescrições mirabolantes e que não têm respaldos científico, ético e legal! Sempre converse com um especialista atualizado e adequado e desconfie de quem tem fórmulas mágicas!

E as medidas preventivas?

Essas são sempre aplicáveis:⁣

-Abandonar o tabagismo⁣
-Controlar a ingestão de álcool ⁣
-Adotar uma dieta balanceada⁣
-Diminuir a ingestão de ultraprocessados⁣
-Praticar atividade física com boa periodicidade e com supervisão, preferencialmente⁣
-Consultar seu ginecologista periodicamente⁣
-Fazer uma avaliação com cardiologista⁣
-Fazer avaliação com proctologista (colonoscopia)⁣
-Adquirir informação em fontes confiáveis!!! ⁣

Terapia hormonal não é bandeira de partido político! Não se pode ser contra ou a favor! O médico deve ler, estudar, atualizar-se e saber riscos e benefícios individuais. E você deve ter acesso a toda informação de qualidade possível, em longa discussão com seu médico, para tomar a sua decisão.

Há informação de qualidade distribuída em websites das grandes sociedades como a Sociedade Brasileira de Climatério- SOBRAC (https://sobrac.org.br) a Sociedade Internacional de Menopausa – IMS (www.imsociety.org), a Sociedade Norte Americana de Menopausa- Menopause Society (https://menopause.org) e a Sociedade Europeia de Menopausa e Andropausa – EMAS (https://emas-online.org ). Procure, sem moderação.

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